O processo de desenvolvimento de novos produtos na indústria mudou consideravelmente. Afinal, o cenário do consumo e da produção está passando por uma verdadeira transformação.
Agora as mudanças são mais rápidas: a tecnologia permeia as atividades diárias e o consumidor está mais informado e exigente. Portanto, não há mais espaço para projetos que nascem em reuniões fechadas à quatro portas, e diferentes atores começam a exercer papéis de destaque e extremamente importantes no processo criativo.
Como garantir, então, que o desenvolvimento de novos produtos mantenha a qualidade e o diferencial competitivo do negócio? Siga com a leitura e entenda melhor este novo cenário para promover mudanças que realmente tragam resultados para a organização!
O novo processo de desenvolvimento de produtos
"Para as empresas que já abandonaram o método tradicional de technology push - ou seja, de empurrar para o mercado as tecnologias internas, o processo acontece de forma muito mais interativa com os diversos players envolvidos. Estamos falando aqui de escutar ativamente o usuário final e todos os demais atores que forem mapeados pela empresa", explica Cristina Leonhardt, idealizadora da Sra. Inovadeira.
De acordo com Cristina, o processo de mapeamento é um dos mais importantes no desenvolvimento de novos produtos. Afinal, quando bem detalhado, é ele que vai apontar possibilidades de inovação que, até então, estavam ocultas.
"Por exemplo, podemos estar focando fortemente a atenção em atender às demandas do usuário final, que é quem de fato irá consumir o produto, e deixando de considerar as demandas de um influenciador importante - como seus amigos, família, nutricionistas ou médicos. E o influenciador pode ser até mais decisivo no processo de compra que a própria percepção do usuário final sobre o produto", complementa.
Cristina chama a atenção para um caso claro que retrata o exemplo. Em uma pesquisa realizada na página Sra Inovadeira, foi identificado que a mudança da alimentação no café da manhã (com maior consumo de carboidratos complexos e proteínas) se originou por indicações de nutricionistas. Assim, os consumidores (em sua maioria, mulheres), estavam buscando mais saúde e mais prazer na refeição.
"Estamos saindo do desenvolvimento de produtos de massa, com uma visão ampla e superficial sobre um conjunto grande de usuários, para o desenvolvimento de novos produtos de nicho, com uma visão focada e aprofundada de uma parcela menor de usuários, com necessidades próximas", pondera Cristina.
Com isso, vivemos um cenário em que o desenvolvimento de produtos está centrado no usuário, e não apenas na tecnologia. Portanto, as empresas que desejam se manter inovadoras precisam dar mais atenção às mudanças do consumidor do que aos insumos disponíveis na indústria.
Novos processos, pessoas e especialidades
Cristina diz que a mudança pela qual estamos passando já vem de cerca de 20 anos de fora do Brasil, no entanto, é só agora que ela está entrando com força na indústria de alimentos nacional.
"Estamos vendo uma integração entre as áreas técnicas de alimentos (representadas principalmente pelas engenharias, ciências e tecnologias de alimentos), o marketing e a entrada de uma nova disciplina, que até então estava restrita ao desenvolvimento de rótulos e embalagens: o design", explica.
Dessa forma, há uma sinergia maior entre as áreas nesse cenário de desenvolvimento de novos produtos, que também resultou em novos processos para a área de P&D. Aqui, podemos citar a cocriação, prototipagem rápida, mapeamento de atores e entrevistas em profundidade, além de novas visões sobre a tomada de risco, a inovação aberta e um olhar que transforma qualquer produto em uma entrega de serviço.
Este é um momento desafiador para quem trabalha com P&D. Afinal, estamos vivenciando a valorização de competências mais pessoais, como a criatividade, a empatia e a flexibilidade. Assim, as competências técnicas estão sendo deixadas em segundo plano: "esta mudança da forma como estamos desenvolvendo produtos passa muito por uma quebra de paradigmas internos e pessoais para quem trabalha em pesquisa e desenvolvimento", complementa.
Um mercado saturado gera a necessidade do desenvolvimento de novos produtos
Com o aumento da concorrência, a necessidade de inovar é urgente. E este cenário não se aplica apenas à gôndola, como também em todas as decisões que precisam ser tomadas ao longo da cadeia para que o produto chegue até o consumidor.
"Como fazer a minha marca ser sempre a eleita? Até bem pouco tempo atrás, com uma montanha de dinheiro, se fazia um marketing agressivo e isso acontecia. Acontece que o mundo se tornou um lugar mais enxuto, estas montanhas de dinheiro estão cada vez mais escassas e o consumidor também está diferente", explica Cristina.
Sendo assim, as empresas precisam mudar tanto o desenvolvimento de novos produtos quanto a maneira de se relacionar com o seu usuário.
E a sua indústria, está preparada para esse novo cenário de desenvolvimento de novos produtos? Conte pra gente pelos comentários e até a próxima.